Sentada, Mas Não Te Esperando


Notei que ultimamente tenho esperado demais de você. E me decepcionado na mesma proporção. Qual o teu problema, ein? O que você vê de tão maldoso em se entregar um pouquinho mais? Que medo infernal é esse de amar? Se jogar sem medo do abismo... Por favor, para de olhar tanto para os próprios pés, para de calcular cada passo e presta mais atenção na estrada ao redor, presta atenção no que está perdendo. Porque, tipo assim, você sabe que está perdendo, sabe sim, só não consegue aceitar que nem sempre os outros conseguem acompanhar seu ritmo. Eu tento, vivo tropeçando, as vezes caindo e levantando, mas estou tentando, oras... E o que recebo, por favor? Essa inconstância, essa mania de oscilar entre correr e caminhar... Mas acontece que tem hora que a gente cansa. Fica ofegante, sabe? E quer sentar, tomar uma água de coco, pôr um óculos de sol no rosto e aproveitar. Eu tô nessa fase agora. Só querendo relaxar. Dá pra você entender isso? Sei que não é difícil. "Relaxar", esticar as pernas, dar uma trégua pro coração, dar sossego a tudo no mundo. Aí, de tão boa, vou tentando te lembrar que nem sempre desacelerar significa perder o passo, mas você não aceita, não é? Então eu fico por aqui... Sentada, mas não te esperando. E quando me levantar e começar a correr, não será atrás de você, e sim da minha felicidade. E aí, quem sabe, cansado fique você de tanto tentar fugir e se esconder.