Mas tem gente que precisa de uma faxina


Minha avó sempre dizia que era mais fácil colocar a culpa do sumiço do bolo em quem está com as mãos sujas. E quando se trata de racionalidade num relacionamento, os dois sempre estarão imundos. Quando se quer ter razão no amor, não se põe na mesa facas pra cortar o bolo em partes iguais, mas se debruçam mãos, olhos e sentimentos famintos por algo que, instintivamente, se esconde dessa loucura. Escudos e capas aos remendos, era isso que ele tinha. E o que mais me irrita não é o fato de ele amar o próprio bloqueio ou se matar por dentro ou construir muros altamente blindados ao redor do castelo-encantado-feito-só-pra-ele, mas o que me enfurece é a minha natureza de brisa, que nunca teve a intenção de ser furacão, mas com suavidade sempre arrasta pra debaixo da minha porta os segredos por detrás de todas as máscaras. E tem gente que não suporta a ideia de ser resgatada. E eu sempre fui, mesmo a contragosto, um tipo de válvula. Sempre ofereci mais que uma descrição pra quem não se conhece, sempre dei mais que a mão pra te puxar do caos, sempre fui liberdade pra quem só conhece libertinagem. Sempre sou jogada no meio de um ferro-velho e obrigada a desenferrujar corações alheios. Cheguei a me considerar uma doméstica-interna muito mal paga, limpando a casa dos outros, varrendo dela toda a desesperança e tirando de dentro do armário todo amor que perfuma a casa. Recompensa? Nenhuma. Mas sempre achei que valeria a pena. Afinal, tem gente que precisa de uma faxina, de uma repaginada pra entender que atos friamente calculados até podiam ser motivos para medalhas, mas com isso não se vence batalhas. Tem gente que só precisa conhecer mais de perto isso que eu ando colocando em tubo de ensaio pra apresentar por aí. Quer saber o que? Ponha uma máscara e vista seu escudo, daí, quem sabe, minha natureza vai se encarregar de me fazer te encontrar...

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