Ciclos Fechados.





Como qualquer história de amor que se preze, a nossa teve o maior drama do Universo. E teve o principal: começo, meio e fim. Sei que é estranho falar disso de forma tão genuína... Mas é isso que acontece quando a gente aprende a reconhecer os ciclos. E vida boa é vida feita de ciclos fechados. Se eu pudesse te dar um conselho, eu diria: se você quer ter paz, feche ciclos, meu rapaz! Tudo que fica inacabado exige da gente um esforço que foge à regra, e pede que a gente volte mais tarde, depois do almoço, depois do jantar, depois da dormida, depois de uma vida toda destruída. E vida tem que ser coisa redondinha, sabe? Uma esfera nunca será promovida a esfera com apenas 180 graus. Pois é, começo que é mar de rosas é maravilhoso. Meio que continua o fio da meada, é incrível. Fim com F de fechado é melhor ainda! Sem arrastar uma história inacabada a vida fica mais leve. Sem remoer ou se moer por coisas que não deram certo, tudo traz paz. Desejo sempre que as pessoas tenham a oportunidade de, em todos os momentos, poder fechar ciclos. Deixem o que foi perdido no passado. Não arquive uma conversa mal resolvida, resolva-a antes de dormir. Não nutra um amor assombrado pelos fantasmas do "não-podemos-simplesmente-acabar". Não deixe a louça pra amanhã, ou as roupas a serem lavadas em outras épocas... E quando o verão chegar? E quando a visita surpresa aparecer? E quando as coisas tiverem que se resolver, que peça escolher (primeiro)? Graças a Deus nosso fim foi redondo. Tudo resolvido, tudo falado. Nada de gerúndios, que são caracterizados por ações não finalizadas: nada de ainda "resolvendo", "digerindo", "sofrendo"... Que seus ciclos sejam todos no particípio, que tenham a característica de ação concluída. E é disso que a gente precisa, não é? De verbos no particípio! Terminado. Ganhado. Concluído. Amado. Finalizado! E que a vida continue fluindo livre, sem pedras do passado.