Se eu for, amor, não volto!



Meu amor, eu tô escrevendo pra, quem sabe, um dia você ler. Mas deixa eu deixar logo claro que não é nada sobre você, sabe? É sobre o quanto eu, só por ter te aceitado, já sou 10 vezes mais macho que muito homem. É sobre o quanto eu, de tão mulher assim, te fiz crescer. É verdade que hoje você desaprendeu muita coisa, mas aí já foi culpa da sua vontade de querer sempre dar errado. Olha, deixa eu te lembrar que eu nunca precisei usar uma saia que mais parecia um cinto, uma blusa com um decote no umbigo e pra fechar o pacote, um salto catatônico, e, mesmo assim, só eu conseguia te fazer muito homem. Deixa eu lembrar também que, todas as vezes que você chorava, desabava - e eu te apoiava no ombro - e você saia por aí dizendo que homem não chora, eu ficava ali, no cantinho, batendo o pé no chão, desaprovando, mas nunca te desmoralizando. Ah, meu amor, eu tô escrevendo mais para mim, sabe? Pra que fique bem claro que, como meu, meu anjo, tá difícil. Queria falar sobre muitas e muitas coisas, mas, principalmente, sobre com quantos caras eu poderia estar saindo nesse minuto e sendo bem mais feliz com alguns do que fui com você em anos, porque, venhamos e convenhamos, pelo "nós" você não fez sua parte. Mas aí eu declaro que a culpa foi toda minha, porque eu tenho essa mania feia de ver em você a bondade e beleza que não te envolve e a pessoa que você não chega nem aos pés de ser. Olha, acho muito legal você viver achando que como eu tem aos montes, mas, em nome da pouca dignidade que te resta, te dou um conselho: Reza, reza bastante, põe a mão no terço e pede a Deus para que no meio dessa sua brincadeira eu não encontre alguém melhor - o que já nem é difícil - e vá embora. Porque se eu for, amor, se liga: EU NÃO VOLTO!

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