Odeio Essas Ameaças De Quase Ser




Quando você tem convicção que é inteira, não consegue aceitar gente fragmentada. E eu falo sério, viu? Eu nunca soube ao certo o que é lidar com metades. Tentar juntar uma parte na outra nunca foi minha praia. Sempre preferi as pessoas completas, que se sentem bem no próprio corpo, que transbordam de coisas boas (ou ruins, vai saber, mas que são cheias). Gente de vida redondamente completa faz a gente ter vontade de se completar também, de se conjugar, de suplementar os próprios anseios, de se juntar e preencher uma vida inteirinha. Odeio essas ameaças de quase ser. Quase vir, quase amar. É tão perigoso quanto beber e dirigir. Já imaginou a tristeza de quase viver? E a decadência de quase estar perto de conseguir algo? E quando, então, as coisas começam a acontecer? Quase não é só uma falta de complemento, é também uma falta de consideração. Consideração pelos termos mais flexíveis de uma vida a dois. Quem quase ama desata laços. Quem quase chega nunca vem, não traz o bem, não ilumina ninguém. Quem é "quase normal", é tido como psicopata. Quem quase namora nunca teve união estável. Quem é quase bonito não chama atenção. E quem é quase inteligente, é o que? "Ser quase" é como ser um verbo inconjugável. É ser fragmento de alguma coisa, partida ao meio, metade de algo que nunca se completa. É ser 180 graus e morrer querendo chegar aos 360. As pessoas me julgam por ser tão inteira porque vivem, constantemente, se conformando com o inacabado. Que se danem! Quem não desatina e não soa a camisa, não fez bom negócio. Quem não morre de amores não me merece e quem não é cheio de si não faz parte de minha vida. Bani, há séculos, migalhas de gente, pedaços descartáveis. Quer vir? Venha! Mas que chegue trazendo consigo todo amor que houver nessa vida porque quase é uma palavra que me assusta.

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