Estamos Quebrados Por Dentro


Eu não precisei de muito para me dar conta do quanto as pessoas andam carentes. Não precisei de muita pesquisa, muita análise, livros grossos, viajar demais... Só precisei de breves conversas. Numa dessas conversas, uma frase me comoveu: "Olha aqui! Hoje ter tudo é sinônimo de ser vazio!" Triste realidade. As pessoas andam carentes de abraços apertados, sabiam? Carentes de pronomes indefinidos - algo e alguém que completem espaços. Antes esse algo abstrato se chamava amor e o alguém já tinha nome e sobrenome, até qualidades previamente descritas por quem o procurava. Hoje ninguém, sequer, procura. Os muros estão altos demais. Tá tudo tão blindado que nada se vê através das armaduras. As pessoas estão carentes de presenças concisas, de olhos nos olhos, de conversas, de toque! É muito decadente saber que chegou-se ao ponto onde o oco existencial é preenchido com coisas. A melhor das desculpas que escuto quando falo isso é "- mas a gente não faz outra coisa senão tentar aliviar as dores das ausências com coisas!". Aí aparece o pézinho da Lei do Engano Nosso de Cada Dia: Coisas não substituem sentimentos porque são necessidades dispensáveis. Acredito eu que paz interior alivia dores. Acredito também que se doar ao próximo traga alívios transigentes, sabe? Arnaldo Jabor num de seus incríveis textos disse que "estamos cada vez mais belos e mais sozinhos". Eu sei, eu sei... As evoluções ocupam demais o nosso tempo, nosso sangue, nossas paixões. E o pior é isso... Ter tempo pra tudo e não enxergar o essencial. É ser transversal demais, é passar por algo sem se dar conta de sua existência... Cortá-lo ao meio, empurra-lo pro abismo, transformá-lo em caos. É perca de tempo querer se esconder de possíveis sentimentos debaixo da cama com medo de quem possa nos puxar dali. E o pior é que tá difícil encontrar alguém que te "puxe". Pois é, estamos carentes de pessoas que insistam! Estamos quebrados por dentro e sem a piedade de alguém que invista no conserto. Se parar pra pensar, a gente só deixa pedaços em esquinas. Nunca se dá por inteiro, nunca morre-se de amor, nunca deposita-se a confiança completa numa calçada. Esquecemos o que é amar! E daí faz-se necessário uma moleta. Um apoio pra ficar de pé, pra não deixar que a tristeza seja transparente demais. Maquiagem, é disso que elas falam. Sexo, é disso que eles falam. Uma mola que nos impulsione pra frente todas as manhãs. Ser carente de algo que a gente escutava falar tanto e saber que não se encontra mais, é a maior das dores que alguém pode sentir. Não desejo isso pra ninguém.

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