Amor De Licor






Comecei o ano me fazendo uma promessa: vou parar de beber! Vou sim! Parar de beber todo esse amor de licor que me oferecem sem pudor numa noite fria qualquer. Parar de tomar essa gente mesquinha, empurrando garganta abaixo como se fossem a água mais cristalina do mundo. Não são. São “água suja”, aguardente puro, difícil de engolir. Chega dessa embriaguez desmedida, chega da ressaca que me faz companhia quando quem me deu as doses de ilusão na noite anterior se vai. E ressaca de desamor é a pior que tem, viu?! Queima tudo por dentro, faz a cabeça girar, o coração fica vazio e a dor não passa. Não passa nunca. Parece que a gente vai morrendo aos poucos, não é? E eu tô cheia dessa morte vagarosa! De tomar todo o mundo até o último gole e não ter ninguém que me salve dessa bebedeira. Tô me tornando alcoólatra! Viciada nessa esperança cega de que, ao fim de cada garrafa de ilusão barata, tenha um pouco de felicidade. Mas não tem. Quando me dou conta, já tomei tudo e minha alma não filtrou nada. A minha mania de afogar os sentimentos nos "litros" de frustrações alheias vai acabar me levando pro fundo do poço. Então preciso parar! Tudo bem que dizem que um vício só se cura com outro, então eu troco meu alcoolismo-sentimental pela sobriedade-meio-amarga que me espera. Prefiro estar limpa e amar sóbria do que me apegar ao amor de licor que só dura uma madrugada. E feliz abstinência pra mim, viu? Vou ficar bem! Nada de empurrar covardemente com a barriga os cacos que ficam de mim depois da noitada regada por mãos que nunca tocam as minhas.

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