A Culpa Não Foi De Ninguém



As coisas estão começando a piorar, não é? E a vontade de conversar tá se esvaindo... A saudade não ajuda, sabe? E o coração vai desnutrindo. As coisas nem sempre saem como a gente quer, mas não se culpe, meu amor. A culpa não foi de ninguém. A culpa foi do maldito tempo que não perdoa. A culpa é da circunstância. A culpa foi das cascas de banana que fomos pisando ao longo dos anos - escorregando e fraturando ossos. A culpa, infelizmente, foi do comodismo que tratamos como amigo quando não devíamos dar o lugar. A culpa foi da mesmice, da chatice, não sua, não minha, mas dessa maldita rotina... Culpa dos monólogos, da vida que nos obrigou a ver o outro lado da moeda. 
Essas lágrimas que você acaba de derramar, não são culpa minha... A culpa é da expectativa que vem para nos atormentar. Esse grito que você acaba de abafar, também não foi por minha culpa, eu sei... A culpa é da surdez que ganhou o lugar. Essa raiva que você tá sentindo... Poxa, a culpa não é minha. A culpa é do amor que quis nos deixar. Essa solidão que te abraça a noite, não foi por querer... Acontece que a culpa é do calor que não quer mais esquentar. Sabe aquele beijo que perdeu o sabor? E aquele sexo sem amor? Culpa de ninguém não... A droga dessa química não quer mais funcionar. Não se culpe, meu amor. Eu também não me culpo mais. O destino é impiedoso e quem somos nós para contestar? A vida, essa mesma que anda te aborrecendo tanto, não vai parar...
E continuamente vamos continuar a usar verbos no infinitivo, tentando transformá-los num gerúndio, terminando num particípio: Amar. Amando. Amado... 



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